Bala que matou João é do mesmo calibre de fuzil usado por policiais

Pixaba

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A Polícia Civil do Rio de Janeiro identificou o calibre da arma que matou João Pedro Matos, 14, na última segunda-feira (18). O calibre 5,66 mm mostra que o menino foi atingido por um disparo de fuzil e o tiro pode ter partido de armas de policiais, já que é o mesmo calibre utilizado pela corporação.

João Pedro foi baleado e morto durante uma operação da Polícia Civil e da Polícia Federal no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio.

Familiares e amigos da vítima disseram que ele brincava no quintal da casa de um tio quando os policiais invadiram o imóvel e o atingiram na barriga. Já a Polícia Civil afirma que o menino foi atingido durante uma troca de tiros entre bandidos e policiais, sendo socorrido de helicóptero.

O corpo do jovem só foi encontrado pela família 17 horas depois, no IML (Instituto Médio Legal). A delegacia de homicídios da Baixada Fluminense diz que a família do menino foi avisada sobre a morte no dia do socorro.

Allan Duarte, delegado e titular da Divisão de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG), responsável pela investigação, disse acreditar que o caso será solucionado rapidamente. Na quinta-feira (21), o piloto e o comandante da aeronave que fizeram o resgate de João Pedro foram ouvidos na delegacia.

"[O piloto] esclareceu para a gente como foi feita a penetração do local, o socorro logístico do jovem. Também recebemos o laudo de projétil, a gente já tem o calibre dessa arma", afirmou o delegado.

Duarte ainda disse que o próximo passo da investigação é submeter a bala a exame de confronto balístico com o armamento apreendido com os policiais – dois fuzis de calibre 7,62 mm e um fuzil de 5,56 mm. O delegado indicou que pretende fazer uma reconstituição simulada e que ainda há mais pessoas para serem ouvidas durante a investigação.

"A investigação caminha, e a gente acredita que num período curto de tempo a gente consiga chegar a uma solução para o caso", pontuou Duarte.

A Câmara de Controle Externo da Atividade Policial e do Sistema Prisional do Ministério Público Federal (CCR) pediu à Polícia Federal do Rio de Janeiro os detalhes da operação que culminou na morte de João Pedro. A PF tem dez dias para responder a solicitação e informar se o menino foi socorrido ou transportado a alguma unidade de saúde por agentes da corporação e se houve autuação de procedimento interno para apurar as circunstâncias da morte.

Fonte: Folhapress

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