Já ouviu falar no vírus HTLV? Salvador tem o maior número de notificações

Foto: Revista ABM

Salvador ainda é a cidade brasileira com a maior prevalência de infecção do HTLV. Trata-se do primeiro retrovírus humano, identificado em 1981, e da mesma família do HIV (causador da aids), que infecta a célula T humana, um tipo de linfócito importante para o sistema de defesa do organismo. Há dois tipos - o HTLV 1 e 2 -, diferenciados por meio de uma pequena parte da sua estrutura e das células que atacam.

De acordo com o patologista Bernardo Galvão, coordenador do Centro de Atendimento Integrativo e Multidisciplinar ao portador de HTLV, da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, e pesquisador emérito da Fundação Oswaldo Cruz, a liderança da capital baiana se mantém desde a publicação de estudo, em 1998, e que apontava Salvador como a cidade com maior número de infectados.

“Vários trabalhos demonstram este fato. Em 2003, estimou-se que cerca de 50 mil pessoas estavam infectadas em Salvador, e os mais recentes, de 2019, estimam que cerca de 130 mil pessoas estão infectadas na Bahia, com maior prevalência nas cidades de Salvador, Ilhéus, Itabuna, Porto Seguro e Barreiras”, declarou Galvão.

O Brasil é considerado o país latino-americano com o maior número de infectados por HTLV 1 e 2, número estimado em 800 mil. Há evidências que a introdução do vírus se deu ainda durante o tráfico negreiro, o que pode explicar o maior número de notificações na cidade de Salvador.

“Não é um fator hereditário. Como o HTLV existe há muito tempo infectando africanos, os que estavam infectados continuaram transmitindo a infecção por via sexual, pela amamentação e por transfusão de sangue, que está controlada desde 1993”, explica Dr. Bernardo.

Na maioria dos portadores a manifestação do vírus não apresenta sintomas, mas cerca de 10%  podem apresentar leucemia ou linfomas, ou uma neuropatia, que torna as pessoas incapacitadas de andar, levando-as a cadeira de rodas, ou alterações oculares, dermatológicas, disfunção urinária, disfunção sexual e à depressão. “Não existe ainda cura nem vacina eficaz. No entanto, um suporte de cuidados multisciplinar é fundamental para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas”, explica Dr. Bernardo.

Embora na medula (mielopatia) não tenha tratamento específico conhecido, no caso de leucemia/linfoma o neurologista Jamary Oliveira Filho alerta que pode ser tratada. “A mielopatia não é curável, mas tem tratamentos para minimizar, e a leucemia/linfoma é potencialmente curável com quimioterapia”.

Pessoas que não apresentam sintomas só descobrem que é portador do HTLV por acaso, quando vai doar sangue, ou, no caso das mulheres, no pré-natal. Portanto, tomar conhecimento da infecção é fundamental para controlar a transmissão do vírus.

Fatores de risco
As formas de transmissão podem ser: via sexual (fazer sexo sem camisinha), congênita (através da placenta);  pelo aleitamento materno,  e uso compartilhado de seringas e agulhas.  

Faz parte do grupo de risco qualquer pessoa sexualmente ativa que não use barreiras de proteção (camisinha), usuários de drogas injetáveis e crianças cujas mães não fizeram pré-natal.

A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) começou a registrar os casos de HTLV em 2012 e, segundo os dados coletados, foram notificados quase 2.500 casos. Desse total, 75% foi em mulheres, porque a pesquisa para o vírus faz parte do pré-natal.

Mas o Dr. Bernardo Galvão alerta que a Sesab se baseia em notificação compulsória, uma vez que muitos deixam de notificar o órgão. “Para chegar aos resultados que divulgamos em 2003, estudamos a população geral de Salvador, e, em 2019, colhemos os dados do Laboratório Central de Saúde Pública da Bahia (Lacen)”, explica o patologista.

Dificuldades
Atual presidente da Associação HTLVida, Organização Não Governamental (ONG), que dá apoio às pessoas com HTLV em Salvador, Francisco Daltro Borges é portador assintomático e contraiu o retrovírus através do aleitamento materno.

Segundo ele, os portadores enfrentam inúmeras dificuldades desde o diagnóstico, uma vez que os profissionais da rede de saúde desconhecem os sinais e sintomas que o vírus causa, o que contribui para a demora no diagnóstico.

“Os profissionais desconhecem, inclusive, que existe uma notificação obrigatória em nível estadual, e sem isso os gestores não planejam melhor a rede de atendimento. Assim, temos uma precária assistência à saúde, dificuldades de consultas, de exames e insumos, como fraldas, medicações e sondas uretrais”, esclarece.

Adijeane Oliveira, também portadora assintomática do HTLV e ex-presidente da ONG, destaca que o sistema imunológico do portador fica vulnerável, o que causa uma série de debilidades, como ressecamento ocular, uveíte, dermatite infectiva, maior vulnerabilidade de adquirir tuberculose, dentre outras debilidades. “Além disso, ainda estamos sujeitos a desenvolver leucemia e linfoma, que é a forma mais grave e agressiva, que pode levar à morte, sem falar na Paraparesia Espástica Tropical decorrente da inflamação da medula, que vai tirando o movimento das pernas de forma progressiva chegando á cadeira de rodas. E 40 % dessas pessoas chegam à depressão, mesmo sem apresentaremos os sintomas”.

Fonte: Revista ABM

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